"Charuto", capitão da Seleção, em foto de Satiro Sodré (cbda.org.br)
O Potóff bateu um papo com Felipe "Charuto" Santos, jogador do Pinheiros e capitão da Seleção Brasileira Masculina Adulta. Confira abaixo.
O que você tem achado do ritmo dos treinos?
Os treinos estão em titmo acelerado, fizemos um período no Rio priorizando a parte física, após isso passamos alguns dias em Bauru aprimorando chutes e fundamentos, e agora em São Paulo estamos acertando a parte tática.
Estamos bem cansados porque já levamos quase 1 mês de treino muito forte. Mesmo assim não temos escolha, com o calendário apertado e falta de treinamentos periódicos da Seleção, temos que fazer tudo isso em um periodo muito restrito, não tendo tempo para periodos mais longos que um dia de descanso.
Você é o capitão e um dos mais experientes do grupo, como analisa as chances do Brasil no Mundial e no Pan com esse grupo renovado?
As chances do Brasil nesse Mundial são boas. Poderiam ser melhores se tivéssemos alguns jogos oficiais antes do Mundial contra equipes de alto nível. Antes do Pan de 2007 passamos quase um mês na Europa treinando contra seleções como Eslováquia, Hungria e times das cidades por onde passamos. Tenho certeza que esses treinos foram totalmente fundamentais para o resultado no Pan do Rio em 2007. Dessa maneira acho que conseguiríamos entrar no Mundial mais a par do clima, ritmo e particularidades de jogos de alto nivel. No Mundial de Roma, em 2009, jogamos muito bem, mas apenas conseguimos ter um rendimento ótimo nos ultimos jogos do campeonato, justamente pela falta de jogos preparatórios. Um campeonato Mundial é muito diferente de tudo que um atleta do Brasil ja vivenciou, a grandeza do evento pode inicialmente deslumbrar o atleta e fazer com que ele perca o foco no real objetivo, mas tenho certeza que iremos bem nesse Mundial.
Esse novo grupo de jogadores, sem sombra de dúvidas, já incorporou a mentalidade do Goran e entende a necessidade de se treinar em níveis mais intensos, já incorporou também a mentalidade técnica, mas isso demora um pouco mais e nesse caso jogos internacionais teriam um grande peso para uma evolução mais rápida. Esse grupo é muito rápido e leve, essa leveza pode em alguns momentos atrapalhar, mas como o estilo de jogo prioriza a velocidade e o deslocamento não perdemos tanto. O clima é ótimo, todos os jogadores são bem unidos e mesmo com longos períodos de concentração e treinamentos nunca houve qualquer tipo de problema entre os atletas.
O técnico Goran optou por uma equipe mais veloz. Dessa forma, você surge como opção para fazer o centro em determinados momentos, assim como o Emílo e o Bernardo Gomes, jogadores que não são, originariamente, centros. O que você acha dessa proposta de jogo?
Nossa proposta de jogo é que não existe um jogador alvo para definir jogadas e com isso todos se tornam muito importantes taticamente.
Temos como proposta de jogo, também, o aproveitamento de qualquer vacilo da equipe adverária e um time mais rápido torna isso menos perigoso defensivamente na questão dos contra-ataques sofridos por nós.
Eu já tenho alguma experiência em atuar no centro, já que na Espanha tinha essa função em determinados jogos. O Emílio não é centro, mas o fato de ser marcador de centro e estar acostumado com as particularidades da briga pela posição, e por ser mais forte que os outros jogadores do time, o torna um jogador apto a jogar na posição.
O Canadá é o nosso grande adversário, tanto no Mundial quanto no Pan. Em janeiro, no Pré-Mundial, fizemos jogo duro com eles lá no Canadá, mas desde então a diferença de preparação é gritante, só para exemplificar:
As chances do Brasil nesse Mundial são boas. Poderiam ser melhores se tivéssemos alguns jogos oficiais antes do Mundial contra equipes de alto nível. Antes do Pan de 2007 passamos quase um mês na Europa treinando contra seleções como Eslováquia, Hungria e times das cidades por onde passamos. Tenho certeza que esses treinos foram totalmente fundamentais para o resultado no Pan do Rio em 2007. Dessa maneira acho que conseguiríamos entrar no Mundial mais a par do clima, ritmo e particularidades de jogos de alto nivel. No Mundial de Roma, em 2009, jogamos muito bem, mas apenas conseguimos ter um rendimento ótimo nos ultimos jogos do campeonato, justamente pela falta de jogos preparatórios. Um campeonato Mundial é muito diferente de tudo que um atleta do Brasil ja vivenciou, a grandeza do evento pode inicialmente deslumbrar o atleta e fazer com que ele perca o foco no real objetivo, mas tenho certeza que iremos bem nesse Mundial.
Esse novo grupo de jogadores, sem sombra de dúvidas, já incorporou a mentalidade do Goran e entende a necessidade de se treinar em níveis mais intensos, já incorporou também a mentalidade técnica, mas isso demora um pouco mais e nesse caso jogos internacionais teriam um grande peso para uma evolução mais rápida. Esse grupo é muito rápido e leve, essa leveza pode em alguns momentos atrapalhar, mas como o estilo de jogo prioriza a velocidade e o deslocamento não perdemos tanto. O clima é ótimo, todos os jogadores são bem unidos e mesmo com longos períodos de concentração e treinamentos nunca houve qualquer tipo de problema entre os atletas.
O técnico Goran optou por uma equipe mais veloz. Dessa forma, você surge como opção para fazer o centro em determinados momentos, assim como o Emílo e o Bernardo Gomes, jogadores que não são, originariamente, centros. O que você acha dessa proposta de jogo?
Nossa proposta de jogo é que não existe um jogador alvo para definir jogadas e com isso todos se tornam muito importantes taticamente.
Temos como proposta de jogo, também, o aproveitamento de qualquer vacilo da equipe adverária e um time mais rápido torna isso menos perigoso defensivamente na questão dos contra-ataques sofridos por nós.
Eu já tenho alguma experiência em atuar no centro, já que na Espanha tinha essa função em determinados jogos. O Emílio não é centro, mas o fato de ser marcador de centro e estar acostumado com as particularidades da briga pela posição, e por ser mais forte que os outros jogadores do time, o torna um jogador apto a jogar na posição.
O Canadá é o nosso grande adversário, tanto no Mundial quanto no Pan. Em janeiro, no Pré-Mundial, fizemos jogo duro com eles lá no Canadá, mas desde então a diferença de preparação é gritante, só para exemplificar:
1) O Canadá participou da Copa Volvo, na Hungria.
2) Disputou 2 jogos na Califórnia contra os EUA pela fase preliminar da Liga Mundial.
3) Treinou em conjunto com a Espanha por uma semana.
4) Passou uma semana treinando em Montenegro.
5) Jogou dois amistosos com a Itália antes da Super Final da Liga Mundial.
6) Disputou a Super Final da Liga Mundial enfrentando China, Austrália, Sérvia, Croácia e Montenegro (duas vezes).
7) E finalizará sua preparação para Xangai num torneio em Cingapura.
O Brasil, por sua vez, desde o Pré-Mundial, não fez (e não fará até a estreia no Mundial) nenhum jogo contra seleções estrangeiras.
Como superar essa diferença?
O Canada realmente é nosso grande adversário nas Américas, tivemos um jogo muito bom contra eles no Pré-Mundial esse ano, mas ilustrando um pouco essa diferença, lembro que no mesmo torneio perdemos para o mesmo time por uma diferença de aproximadamente 7 gols dois dias antes da final, fato que acho ilustrar bem como a falta de jogos internacionais faz com que o time demore a reagir, já que todo momento que saímos para jogar é como se fosse a primeira vez.
Tentaremos superar todos esses fatos com a nossa união e garra, aliados a uma preparacão intensa e forte que tivemos nesses últimos meses. Ano passado conseguimos reverter um placar com o mesmo time do Canadá quando perdiamos por 6 gols de diferença e saímos vitoriosos. O jogador brasileiro é, sem dúvida, capaz de atuar em alto nível, mas precisa ter contato com o alto nível até mesmo para mudar a mentalidade.
O Canada realmente é nosso grande adversário nas Américas, tivemos um jogo muito bom contra eles no Pré-Mundial esse ano, mas ilustrando um pouco essa diferença, lembro que no mesmo torneio perdemos para o mesmo time por uma diferença de aproximadamente 7 gols dois dias antes da final, fato que acho ilustrar bem como a falta de jogos internacionais faz com que o time demore a reagir, já que todo momento que saímos para jogar é como se fosse a primeira vez.
Tentaremos superar todos esses fatos com a nossa união e garra, aliados a uma preparacão intensa e forte que tivemos nesses últimos meses. Ano passado conseguimos reverter um placar com o mesmo time do Canadá quando perdiamos por 6 gols de diferença e saímos vitoriosos. O jogador brasileiro é, sem dúvida, capaz de atuar em alto nível, mas precisa ter contato com o alto nível até mesmo para mudar a mentalidade.
Existem duas propostas diferentes para se desenvolver o polo no Brasil com vistas à 2016. Uma delas cogita a possibilidade de enviar os jogadores da Seleção para jogarem na Europa, encaixando-os em alguns clubes. Outra, é a favor de que se traga para o Brasil uns 5 jogadores estrangeiros top de linha, para jogarem a temporada inteira. Você, que já teve a oportunidade de jogar na Europa, acredita que qual proposta seria a mais eficaz?
Sobre os "projetos" para que se tenha um polo aquático de mais alto nível nas Olimpíadas de 2016, acho que as duas ideias são boas e devem acontecer, de certa maneira, juntas. Claro que jogar em times europeus é ótimo, já que se joga ao menos 1 vez por semana contra muitos adversários diferentes, o que faz o atleta evoluir muito tecnicamente, mas, principalmente, psicologicamente e emocionalmente.
Particularmente acho que o Brasil precisa mesmo de uma Liga que faça com que se tenham mais jogos, não acho impossível fazermos uma Liga com um jogo todo sábado durante 7 meses, por exemplo. Imagino que tudo aconteceria como uma bola de neve. Acho que com essa certeza que existirão jogos todos os sábados fica mais fácil uma negociação com emissoras de TV. Com essas transmissões os clubes podem buscar mais patrocinadores para ficanaciar os custos da equipe. Mais verba possibilitaria aos clubes contratar atletas internacionais de alto nível para que integrassem as equipes, esses jogadores elevariam o nível do torneio. Com mais verba os clubes poderiam pagar aos atletas quantias que os mesmos possam se dedicar integralmente ao esporte. Com mais dedicação ao esporte os atletas evoluiriam e estariam em forma durante todo o periodo dessa possível Liga. Com os atletas em forma e evoluídos tecnica e taticamente a Seleção não precisaria de muito tempo em conjunto para treinamento, já que estariam juntos apenas para retoques físicos e táticos. Paralelamente a isso, com os benefícios que citei acima trazidos por uma Liga, a Seleção poderia se unir durante periodos como 1 ou 2 semanas e fazer viagens de treinamentos para paises de alto nível, estando também, dessa forma, a Seleção preparada e treinando em alto nível durante todo o ano. Períodos de treinamento da Seleção, mesmo em terras brasileiras, são de alto custo. Com os clubes em atividade durante todo o ano essa verba poderia ser usada para intercâmbios internacionais.
Apenas lembro que o "projeto" por mim citado faria com que os jogadores continuassem atuando no Brasil e com a seleção em atividade durante todo o ano.
Sobre os "projetos" para que se tenha um polo aquático de mais alto nível nas Olimpíadas de 2016, acho que as duas ideias são boas e devem acontecer, de certa maneira, juntas. Claro que jogar em times europeus é ótimo, já que se joga ao menos 1 vez por semana contra muitos adversários diferentes, o que faz o atleta evoluir muito tecnicamente, mas, principalmente, psicologicamente e emocionalmente.
Particularmente acho que o Brasil precisa mesmo de uma Liga que faça com que se tenham mais jogos, não acho impossível fazermos uma Liga com um jogo todo sábado durante 7 meses, por exemplo. Imagino que tudo aconteceria como uma bola de neve. Acho que com essa certeza que existirão jogos todos os sábados fica mais fácil uma negociação com emissoras de TV. Com essas transmissões os clubes podem buscar mais patrocinadores para ficanaciar os custos da equipe. Mais verba possibilitaria aos clubes contratar atletas internacionais de alto nível para que integrassem as equipes, esses jogadores elevariam o nível do torneio. Com mais verba os clubes poderiam pagar aos atletas quantias que os mesmos possam se dedicar integralmente ao esporte. Com mais dedicação ao esporte os atletas evoluiriam e estariam em forma durante todo o periodo dessa possível Liga. Com os atletas em forma e evoluídos tecnica e taticamente a Seleção não precisaria de muito tempo em conjunto para treinamento, já que estariam juntos apenas para retoques físicos e táticos. Paralelamente a isso, com os benefícios que citei acima trazidos por uma Liga, a Seleção poderia se unir durante periodos como 1 ou 2 semanas e fazer viagens de treinamentos para paises de alto nível, estando também, dessa forma, a Seleção preparada e treinando em alto nível durante todo o ano. Períodos de treinamento da Seleção, mesmo em terras brasileiras, são de alto custo. Com os clubes em atividade durante todo o ano essa verba poderia ser usada para intercâmbios internacionais.
Apenas lembro que o "projeto" por mim citado faria com que os jogadores continuassem atuando no Brasil e com a seleção em atividade durante todo o ano.
Por fim, você gostaria de explicar, com suas próprias palavras, o que realmente aconteceu naquela primeira passagem da Seleção por Bauru, quando certas pessoas aproveitaram uma determinada situação para espalhar um monte de fofocas envolvendo o seu nome e o do treinador Goran?

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